domingo, 9 de março de 2014

Dona Adriana

Conheci na rua a Dona Adriana, senhorinha de 92 anos que caminhava com dificuldade pelas ruas do bairro. Ao vê-la parei e ofereci ajuda para atravessar a rua, ela aceitou e disse que sentiu vontade de ir à missa e mesmo com a perna esquerda que não ajuda resolveu sair de casa.

Acompanhei-a até o ponto de ônibus e lá fiquei até que ela seguisse para a igreja. Foi um encontro breve, mas cheio de significado.

Dona Adriana, arqueada pelo tempo que lhe pesa às costas, rosto franzido, guardando em seus sulcos as histórias de uma vida longa, carregava um olhar viçoso, um sorriso solto e inspirador.

Enquanto aguardávamos o ônibus conversamos um pouco e, então, soube que ela veio de Portugal aos 15 anos, que o pai a levou para um passeio de avião sobre a represa de Guarapiranga e que ela acha o nome dela muito comprido. Ficamos ali papeando como se fossemos velhas conhecidas, uma sintonia boa. 

Um pouco antes de ir ela falou que confia muito em Deus e que ele manda anjos para cuidar da gente e que eu era um deles. Mal sabe ela o quanto bem me fez, que para mim também foi um anjo.

A vida sempre nos promove encontros. Tem quem chega e fica, quem vai embora e gente como a Dona Adriana, que passa rapidinho, mas que nos marca de alguma forma.




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