sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Caridade

Andando pelas ruas é comum nos depararmos com pessoas que estendem a mão pedindo alguns trocados. As reações são várias: há os que desviam do pedinte, os que apressadamente fecham a janela do carro, os que  fuçam na carteira a procura de algumas moedas, os que ficam na dúvida se dar algo representa realmente uma ajuda. Há, ainda, aqueles que conversam, buscam entender o que faz um ser humano perambular pelas ruas dependendo da vontade alheia para sobreviver ou manter seus vícios.
Pessoalmente, acho que já vivenciei todas essas situações. Realmente não sei o que é melhor fazer.
Hoje, parada no semáforo, vi caminhando entre os carros um senhor com vestes andrajosas, barba há muito tempo sem fazer e sem sinal de banho recente. Bateu a dúvida de sempre. Entre o impulso de olhar para o lado, fazer cara de paisagem e dar alguns trocados decidi pela segunda opção. Não sei o que ele fará com os poucos centavos que dei, mas penso que isso não cabe a mim. Espero que ele faça bom uso e esse bom só ele poderá saber o que é. O livre arbítrio é nosso e de quem recebe. 
Mas, preciso dizer que naquele breve instante, vi um par de olhos cansados brilharem, lábios esboçarem um sorriso tímido enquanto ele dizia: Deus a abençoe, minha senhora!
Continuo sem saber o que é correto nessas situações, mas o semblante desse senhor deixou-me com o coração mais tranquilo quanto a essa dúvida.
Talvez seja melhor pensar menos e deixar o coração decidir. 



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